terça-feira, 21 de maio de 2013

Projeto Esporte Cidadão (primeira parte)


“Aprendi a gostar delas e elas de mim”
(professor Henrique)



Marcus Campos, aluno de Ciências do Esporte e ingressante na FCA – UNICAMP em 2010, tem um visão pouco comum dentre os pensadores do esporte. Foi com essa visão incomum, porém de consenso entre renomados intelectuais e pesquisadores, que Marcus nos procurou com a vontade de criar um projeto social na comunidade de Limeira: surgia o Esporte Cidadão. Conheça nesse texto escrito por Marcus um pouco do projeto e desse pensamento que serviu de base para o mesmo. O projeto teve duração de um ano, ao longo de 2012, e agora em 2013 há chance de que se torne um projeto de extensão, abrigado e realizado dentro da própria faculdade.
- Um Consenso Incomum



Quais são os limites do esporte? E os limites da aprendizagem e evolução humana, quais são? Há limites para a sensibilidade humana? Estas são, certamente, perguntas que as pessoas não se fazem e que seus amigos, provavelmente, também não fazem a si mesmos. É estranho quando elas surgem. Na verdade, parecem não se encontrar no mesmo mundo duas pessoas tão distintas quanto a que se preocupa com as fotos que outro “posta” em algum de seus vários perfis de uma rede social e aquela que se preocupa em fazer tais perguntas; o mundo não é o mesmo para alguém que, se perguntado sobre o que significa esporte, dirá algo sobre as modalidades e os atletas de alto rendimento, do que para o qual, se feita mesma pergunta, dialogará a partir de um esporte plural e que atende a humanidade da maneira que a convir.

Os limites do esporte estão intimamente ligados aos limites da intenção humana. O esporte pode tudo, segundo Vitor Marinho de Oliveira. Vai da arte ao horror. Tão velho é o esporte quanto as noções de estado, ética e direito.

Pude sentir fortemente que o esporte é sim um meio de ensinar o que quisermos, com os valores que forem abordados.”
(professor Leonardo)



É possível transferir os conhecimentos produzidos no esporte para a vida cotidiana, como é possível transferir os conceitos de química para assar um bolo ou os de física quando se pergunta qual a distância daqui a ali. Aprendemos nas escolas “princípios básicos” da Química, da Física, da Matemática e de todas as outras áreas inseridas no seu sistema, mas quando chega a hora do esporte ou da Educação Física, a aula é de “dar a bola”, “apenas correr”, “recreio” e “compensação pelo trabalho duro nas outras aulas”. Mal é questionada aos alunos a importância do esporte na vida deles, muito menos suas potencialidades. Mal se sabe o esporte ou o entende-se, mesmo por parte dos professores; seus conteúdos são limitados na escola. Porém, este é o melhor caminho para se trilhar nas aulas de Educação Física ou nas escolas de esporte?

“[...] proporcionar momentos e ambientes de aprendizagem entre alunos e professores onde as dificuldades de diversas áreas fossem interpretadas e resolvidas de maneira similar a dos jogos abordados, com temática esportiva e também social”.
(professor Leonardo)



O Esporte Cidadão não concorda em como é desenvolvido o esporte em diversas escolas brasileiras e se propôs a desenvolver um programa diferente: nas aulas, o esporte era tratado como fenômeno que atinge toda a sociedade e, se atinge, consegue transformar o aluno, o professor e o espaço de que ambos desfrutam. Nas aulas, a ideia é aprender a aprender. É redescobrir para que servem os diversos esportes e as lógicas presentes nestes. Se no esporte vôlei as regras pedem com que se levante a bola para o companheiro, a cooperação é fundamental, como em todos os esportes coletivos; no atletismo ou na ginástica é preciso concentração e disciplina para conseguir atingir a consciência corporal; na vela ou no rafting, o respeito ao meio ambiente é imprescindível à pratica esportiva. Da mesma maneira como existem princípios básicos nas ciências da natureza, o esporte esbanja elementos que podem muito bem serem usados na educação, desde que se saiba usá-los.

“[...] ir além da própria aprendizagem de si, mas de valores como respeito, cooperação, motivação, união, compreensão, disciplina, moralidade.”
(professora Mariana)



As aulas eram campo aberto de conhecimento e de reflexão. Durante todo o processo de aulas foi sempre valorizado o que as crianças/jovens tinham a ensinar, como o que podiam construir com as informações que os professores às propunham. Pelo jogo, elas viviam um pouco mais das diferenças sociais em suas vidas, convivendo com colegas de todos os humores e crenças. Adentrando ao mundo mágico do lúdico, junto a essa pluralidade de gente (colegas e professores), se transportavam ao campo da criatividade, onde passam os Ronaldos, as Paulas e Hortências, os Robert Scheidts, no esporte, mas também visitado pelos Van Goghs, Monets ou Paulos Freire. Pois neste universo de sensibilidade, neste mundo de criatividade e vivência, tudo se transfere, e educação, artes e esporte caminham juntos; são feitos da mesma coisa: elementos que podem mudar o mundo.

É possível haver esta transformação/mudança/aprendizado dos valores pela vivência através dos jogos, visto o aspecto educativo e as características que só os jogos possuem como ensino.” 
(professora Mariana)

Professores do projeto

por Marcus Campos



Em negrito, destacaram-se algumas frases dos professores do projeto, com a intenção de mostrar o ponto de vista deles a partir das aulas e da lógica seguida pelo projeto. Pode-se, por esses parágrafos, enxergar que o objetivo do projeto ganha sentido em suas falas. O próximo texto sobre o projeto contará com as respostas das crianças.

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